Túnel do Tempo reúne acervo histórico da resistência dos movimentos populares
23/09/2017 - 9h26 em Mundo

Nos olhares dos visitantes, é visível o encantamento com as imagens e elementos presentes.

O Túnel do Tempo tradicionalmente compõe a programação da Jornada de Agroecologia que acontece anualmente no Paraná. Montado como um museu, o túnel é uma das atrações mais procuradas pelos participantes. Metodologia pedagógica, ela é desenvolvida para trabalhar com alunos de diversos níveis de ensino um determinado assunto ou contexto histórico.

Na edição passada, o Túnel do Tempo lembrou os 100 anos da Guerra do Contestado (1912 a 1916), porém o diferencial da 16ª edição é a ausência de um tema central. Batizado de Memória, Luta e Resistência e arquitetado no formato da proporção áurea – um conceito algébrico utilizado desde a antiguidade em pinturas e que está intimamente ligado aos ciclos da natureza – o túnel reúne imagens de fotógrafos, repórteres fotográficos, comunicadores sobre vários movimentos de luta.


No acervo estão fotografias da luta pela terra e reforma agrária, da luta das mulheres contra o machismo, do movimento da população de rua, de servidores públicos, dos atingidos por barragens, das comunidades tradicionais – indígenas e quilombolas – além de elementos que reforçam a bandeira do internacionalismo presente no Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra com imagens de países onde o MST conta com brigadas internacionais, como exemplo a Palestina.



Homenageado especial da 16ª Jornada de Agroecologia, Valmir Mota de Oliveira, o Keno, tem um local de destaque dentro do Túnel do Tempo. Imagens que retomam sua luta no Oeste do Paraná, região onde foi assassinado covardemente por uma milícia a serviço da transnacional Syngenta. Íris Oliveira, viúva do militante, foi quem abriu o túnel e primeira pessoa a passear pelos corredores com imagens que simbolizam a resistência dos movimentos populares.



Nos olhares dos visitantes é visível o encantamento com as imagens e os elementos presentes no espaço. “Eu literalmente sai chorando do túnel, achei muito impactante essa mostra de diferentes movimentos populares, diferentes pessoas, nas mais diversas situações”, comenta Jéssica Lozovei, acadêmica do curso de Geografia da Universidade Federal do Paraná (UFPR). As imagens que mais lhe marcaram foram do crime ambiental proporcionado pela Samarco no distrito de Bento Rodrigues, em Mariana (MG). Registros dos repórteres fotográficos Leandro Taques e Joka Madruga.




Para Branca dos Santos, da coordenação estadual do MST, o Túnel do Tempo simboliza os ciclos que os movimentos populares passam e a maneira como eles vão sobrevivendo diante de uma série de intempéries. “Passamos por vários momentos complicados, como o atual que é do golpe. Porém temos um momento no túnel deste ano que é o da plantação do pinhão. Ele representa o que somos. Nos enterram, mas esquecem que somos sementes. Nós germinamos e vamos nos multiplicando novamente com mais força para a luta”.

Júlio Carignano, via Porém.net

Brasil de Fato 

 

COMENTÁRIOS
Comentário enviado com sucesso!