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Mesmo após aceno da Petrobras, caminhoneiros param pelo quarto dia seguido
24/05/2018 10:26 em Brasil

O anúncio de corte de 10% no preço do diesel não desmobilizou os motoristas. População sofre com falta de combustível e alimentos.

O anúncio de uma redução de 10% no preço do diesel nas refinarias não foi suficiente para desmobilizar os caminhoneiros autônomos que fecham estradas por todo o País desde segunda-feira 21. Nesta quinta-feira há bloqueios em pelo menos 20 estados e em vias importantes, como a Anchieta, que liga a cidade de São Paulo ao Porto de Santos.

Os efeitos na vida da população se somam. Além dos contratempos na locomoção decorrentes dos bloqueios em estradas, a crise dos combustíveis provoca desabastecimento, falta de gasolina em postos, cancelamento de voos em aeroportos e alta de preços de produtos diversos.

 
 

Em Águas Claras, cidade nos arredores de Brasília, o funcionário de um posto foi flagrado quando reajustava o litro da gasolina comum para 9,99 reais, segundo informações do Congresso em Foco. A Folha de Pernambuco noticiou que em Recife há postos comercializando o litro da gasolina por 7 reais. No Rio de Janeiro, dos 800 postos da cidade, 90 estão totalmente secos.

Há consequências também para o transporte público. Em São Paulo o rodízio municipal de veículos foi suspenso porque havia a previsão de que 40% da frota de ônibus não rodaria por falta de combustíveis. A operação, porém, segue normal. No Rio de Janeiro, o BRT está funcionando com apenas 50% da frota e a situação só será normalizada quando os veículos puderem ser abastecidos. Belo Horizonte e Recife também têm uma frota 40% menor de ônibus circulando nas ruas.

 

A Associação Brasileira de Empresas Aéreas (Abear) informou que "haverá impacto para as operações aéreas nas próximas horas" em razão da falta de combustível causada pela greve de caminhoneiros. A entidade alertou para atrasos e cancelamentos, embora tenha dito não saber calcular o número preciso. A recomendação é que os passageiros procurem as companhias aéreas para confirmar seus respectivos voos. A associação representa LATAM, Gol, Azul e Avianca.

Além da locomoção, há desabastecimento também de alimentos. Na madrugada desta quinta-feira, apenas 50 caminhões chegaram à Ceasa do Rio de Janeiro, principal central de abastecimento do Rio da cidade. O volume normal é de 350 caminhões. Em São Paulo, cena semelhante na Ceagesp: os carros estão vazios ou parados, enquanto funcionários ficam à espera de serviço. Os boxes estão com caixas vazias, pois desde terça-feira não chega mercadoria.  

Petrobras cede

Após supostamente ameaçar se demitir na segunda-feira 21 caso o governo cedesse à pressão dos caminhoneiros e de garantir a manutenção da política de preços, o presidente da Petrobras, Pedro Parente, cedeu aos apelos do Palácio do Planalto anunciou na noite desta quarta-feira 23 uma redução de 10% no valor do diesel nas refinarias por 15 dias.

A decisão, segundo ele, busca contribuir com uma possível trégua no movimento dos caminhoneiros, parados nas estradas há três dias contra preço do combustível.

O impacto nas bombas será modestíssimo e não se sabe se suficiente para interromper os protestos. A Petrobras avalia que a redução média será de 0,23 real nas refinarias, resultando numa queda média de 0,25 nos postos de combustível.

A medida vale apenas para o diesel. A expectativa é de que a paralisação seja suspensa e, nos 15 dias em que vigorar a nova tarifa, o governo e o caminhoneiros encontrem uma solução definitiva.

Os grevistas continuam irredutíveis diante das propostas recentes de Brasília. Na tentativa de encerrar os protestos, que atingem 24 estados, o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, havia anunciado que o governo vai zerar a cobrança da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, a Cide, sobre o diesel, outra reivindicação dos grevistas. 

Em contrapartida, o governo quer que o Congresso aprove a reoneração da folha de pagamento. Há cautela quando o assunto é corte de tributos. Zerar a Cide amplia a perda de arrecadação em um momento de aperto fiscal. A estimativa é de renúncia de 2,5 bilhões de reais com a Cidemas, mas de um ganho de 3 bilhões de reais com a reoneração.

Brasil de Fato

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