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Grampolândia Pantaneira: Oposição pressiona por CPI dos Grampos
01/08/2018 09:31 em Politíca

Presidente da Assembleia confirmou a movimentação para a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na AL .

 

O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, deputado estadual Eduardo Botelho (DEM), será pressionado pelos deputados da oposição hoje na retomada dos trabalhos da Casa, após 15 dias de recesso, para criação de uma nova Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), desta vez para investigar o suposto envolvimento do governador Pedro taques (PSDB) no esquema que ficou conhecido como "Grampolândia Pantaneira". 

Um grupo de parlamentares está se articulando desde a última sexta-feira (27) para a criação da CPI. A deputada estadual Janaína Riva (MDB) garante que irá propor novamente a instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para apurar a "Grampolândia Pantaneira". 

Na última sexta-feira (27), o cabo Gerson Luiz Correa, acusado de ser o principal operador das escutas clandestinas, garantiu que o gestor tucano e o seu primo, o ex-secretário chefe da Casa Civil, Paulo Taques eram os líderes dos grampos ilegais. 

Em depoimento prestado junto a Vara Militar, o integrante da Polícia Militar afirmou que a arapongagem começou no final de 2014, antes mesmo de Taques se tornar governador, e se perdurou durante a gestão tucana. De acordo com ele, a intenção era monitorar os adversários políticos de Taques. 

Além disso, o cabo ainda revelou que diversos parlamentares foram grampeados por meio deste esquema. Para Janaína, esses fatos precisam ser esclarecidos. 

Ela acredita que diante das revelações de Gerson, não terá dificuldades em angariar as assinaturas necessárias para instauração do procedimento investigatório no Parlamento Estadual. 

Agora vamos tentar novamente colher as assinaturas necessárias para apresentar um novo requerimento de CPI. Temos um fato novo agora, uma confissão feita através do depoimento do cabo Gerson, e acredito que não teremos mais dificuldade em conseguir as oito assinaturas necessárias, até porque nós tivemos uma declaração do cabo dizendo que 24 deputados foram grampeados. Então, não foi apenas eu enquanto parlamentar que fui grampeada, mas outros colegas também", disse a emedebista. 

Para Janaína, a CPI será uma forma de dar uma resposta para a sociedade, e ainda mostrar a postura de cada deputado no que se refere a este tema. 

"Acho que vai ser uma forma de nós mostrarmos para a sociedade se, de fato, os deputados têm interesse ou não em esclarecer o caso dos grampos, porque ficou muito confuso aos olhos da sociedade. Acho que agora é importante a Assembleia dar este esclarecimento para a sociedade e cada deputado se posicionar como achar mais conveniente, e população poder ver quem está do lado de quem", enfatiza. 

A deputada acredita que a instauração deste procedimento pode, até mesmo, refletir nas eleições de outubro deste ano. 

"Estamos à beira de um processo eleitoral, e eu acho que é o momento oportuno para que os parlamentares se manifestem. Hoje, eu vejo que muito parlamentares vão par ao interior e fazem um discurso muito diferente daquele que fazem dentro de plenário, que geralmente é em defesa do governo, que geralmente encobrem as ações descabidas do governo e que, na minha opinião, pode ter mais publicidade se nos levarmos isso ao plenário, para que cada possa se manifestar diante a sociedade", frisou. 

O presidente da Casa de Leis, deputado estadual Eduardo Botelho (DEM) afirma que foi procurado por diversos parlamentares, que externaram a necessidade de se apurar os fatos. "Vamos aguardar os pedidos", disse o democrata. 

Botelho disse ainda que se seguirá a maioria dos parlamentares. "Eu vou segui a maioria. O que decidirem eu acato. Se terá ou não CPI, se terá ou não processo de impeachment, eu não sei. Só vou encaminhar o que for decidido". 

Janaína também não descarta a possibilidade de vir a apresentar um novo pedido de impeachment contra o governador. Ela afirma que irá fazer uma análise jurídica do caso para ver se cabe esta medida. 

Vale lembrar que, em janeiro deste ano o Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário de Mato Grosso (Sinjusmat) protocolou no Legislativo um pedido de impeachment contra Taques por crime de responsabilidade, em decorrência do atraso no repasse do duodécimo. 

Diário de Cuiabá

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