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Facção criminosa movimentou R$ 52 milhões
09/08/2018 - 8h54 em Polícia

Operação buscou prender envolvidos, apreender patrimônio e descapitalizar a principal facção criminosa, cujas lideranças estão no maior presídio de Mato Grosso, a Penitenciária Central do Estado (PCE).

Uma megaoperação contra o crime organizado foi deflagrada, ontem, em cumprimento a 94 mandados de prisão preventiva em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e no Pará. Durante 15 meses de investigação, a Polícia Civil do Estado descobriu que a facção movimentou cerca de R$ 52 milhões em pouco mais de um ano e que se organizava na forma de pirâmide de autofinanciamento. 

Além de prender, a operação denominada de “Red Money” buscou apreender patrimônio e descapitalizar a principal facção criminosa com atuação no Estado, cujas lideranças ligadas ao Comando Vermelho (CV) estão na Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá. Para isso, também foram cumpridos 59 mandados de busca e apreensão domiciliar, 80 ordens judiciais de bloqueios de contas correntes, além de sequestro de bens, entre veículos, joias, imóveis e valores. 

De acordo com a PC, a facção desenvolvia um engenhoso esquema de arrecadação de dinheiro, que acabou desmantelado pela operação e cujos capitais eram oriundos de pagamento de mensalidade de faccionados e traficantes e taxas de falsa segurança em comércios. Outra fonte de renda vem de crimes articulados de dentro dos presídios como roubos e furtos de veículo e agências bancárias, tráfico de drogas e estelionatos. Quem ousava desafiar os líderes da facção ou quisesse sair, era ameaçado, incluindo, os familiares. 

No alto escalão financeiro da facção estavam: Francisco Soares Lacerda, conhecido como “Brasília”, e Jonas Souza Gonçalves Junior, o “Batman”, sendo este último dono da empresa J.J..Informática, constituída com fins de lavagem do dinheiro das ações criminosas. Os dois, assim como outras lideranças e colaboradores, tiveram mandados de prisão preventiva cumpridos ontem na operação. 

Conforme o delegado Luiz Henrique de Oliveira, coordenador de Inteligência da Polícia Civil, a deflagração da operação corresponde ao fechamento de uma etapa importante da investigação e agora iniciará um trabalho mais técnico, de análise dos documentos apreendidos, interrogatórios, oitiva de testemunhas, identificação de outros suspeitos. "A operação Red Money indica que a Polícia Judiciária Civil avançou um degrau na forma de se combater as facções criminosas no Estado, precisamos focar no aspecto financeiro e patrimonial para enfraquecer essas organizações criminosas", frisou por meio da assessoria de imprensa. 

Para se ter idéia desse aspecto financeiro, as investigações apontaram que somente no período de junho de 2016 a 18 de janeiro deste ano, entre entradas e saídas de 44 contas investigadas na operação, foram identificados movimentação de aproximadamente R$ 52 milhões. “A facção arrecadava por mês cerca de R$ 170 mil e mais de 1,2 milhão, por ano, com as mensalidades pagas pelos faccionados, fora outras fontes de sustentabilidade da facção criminosa”, informou. “O montante é usado no enriquecimento ilícito das principais lideranças com a compra de veículos de alto valor, propriedades rurais e urbanas. Carros luxuosos são ostentados pelas mulheres das lideranças, que são bancadas com o dinheiro da atividade criminosa”, completou. 

PIRÂMIDE – Conforme a Polícia Civil, o sistema de arrecadação financeira da facção tem o formato de pirâmide. No topo, estava o núcleo de liderança e na base dezenas de contas bancárias, com movimentação menor, que fazem a captação de dinheiro, e, gradativamente, repassam às contas maiores. 

FONTE DE ARRECADAÇÃO - Ainda, segundo a apuração da polícia, a organização desenvolveu internamente um sistema de arrecadação financeira próprio, criando assim um grande esquema de movimentação financeira e lavagem de dinheiro, com utilização de empresas de fachadas, contas bancárias de terceiros, parentes de presos, entre outros. “Por meses, os analistas estudaram o sistema de arrecadação financeira da facção criminosa descobrindo três fontes principais de recursos”, informou a PC. 

Esse sistema era formado por três modalidades de arrecadação, sendo que uma delas consistia no pagamento de mensalidade pelos faccionados, chamadas de "camisa". Outra forma tratava-se do cadastramento e mensalidades pagas por traficantes ou por cada ponto de venda de droga, conhecidas por "biqueiras”. 

A terceira fonte consistia na cobrança de "taxa de segurança" de comércios (extorsão de comerciantes). "A Polícia Civil entendeu a necessidade de atuar de forma a combater a lavagem de dinheiro. Esses presos, ainda recolhidos no Sistema Penitenciário, voltam a delinquir e comandam diversos crimes do lado de fora", disse o delegado geral da Polícia Civil, Fernando Vasco. 

Dos 94 mandados de prisão, 29 alvos já estavam presos em presídios de Mato Grosso e um no Pará. Do lado de fora, foram procurados 51 suspeitos na região metropolitana e 11 no interior do Estado (Rondonópolis, Sinop, Nova Olímpia, Sorriso, Peixoto de Azevedo, Guarantã do Norte e Poconé). Outros dois alvos tiveram os mandados cumpridos fora de Mato Grosso. São dois suspeitos no Pará (um preso no Presídio de Tucuruí e um solto na cidade de Jacundá) e um suspeito solto em Campo Grande (MS). Ao todo, foram 233 ordens judiciais decretadas para a ação policial pelo juiz de direito, Marcos Faleiros da Silva, da 7ª Vara Criminal - Vara Especializada do Crime Organizado. 

Diário de Cuiabá

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