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PSD entrega os cargos no governo Taques
23/03/2018 13:41 em Politíca

O Partido Social Democrático (PSD) entregou todos os cargos que possui no Governo do Estado nesta quinta-feira (22). A decisão foi tomada durante reunião do Diretório Regional da legenda, realizada na noite da última quarta-feira (21). 

A medida visa garantir a independência da sigla em relação a gestão do governador Pedro Taques (PSDB) e, consequentemente, as conjecturas referentes a eleição de 2018. 

O fato causou um racha no partido, tendo em vista que a bancada de deputados estaduais defende a permanência da aliança com o PSDB no pleito deste ano. As demais lideranças da sigla, por sua vez, apostam no rompimento com Taques e chegaram até a sugerir que o vice-governador Carlos Fávaro (PSD) dispute a eleição ao Governo do Estado em outubro. 

Esta divergência levou os correligionários a exaltar os ânimos durante a reunião que durou mais de cinco horas. Os parlamentares, entretanto, acabaram tendo voto vencido. 

Presidente da sigla em Mato Grosso, o vice-governador Carlos Fávaro, será o responsável por construir a aliança voltada para eleição de 2018. Para tanto, ele foi “liberado” para dialogar tanto com os partidos da situação quanto da oposição. 

“Primeiro encaminhamento que foi dado é que o partido tem independência. Eu recebi o aval de todas lideranças do partido para construir um bom projeto para Mato Grosso e para o PSD. O partido também irá deixar o governador a vontade, irá disponibilizar todos os cargos que tem no governo, para que ele faça bom uso. E com muita sabedoria e muita cautela, falar com todas as lideranças do Estado”, explicou. 

Ele frisou, entretanto, que o posicionamento da legenda não significa rompimento com Taques. “O PSD faz parte do Governo. Os nossos deputados, até hoje votaram todas as matérias o governo, não vamos exigir que eles deixem de votar, até para o bem de Mato Grosso. A construção de 2018 em diante é que temos liberdade para construir”, pontua. 

Fávaro afirmou, inclusive, que o partido não irá interferir nos cargos oriundos e indicação dos deputados estaduais. “A bancada tem autonomia para continuar apoiando o governo, porque nós fomos eleitos e até 31 de dezembro estamos no governo. Nós estamos fazendo parte deste governo e a bancada deve continuar apoiando, inclusive, os cargos dos deputados o partido não vai ter interferência nisso. Os cargos que estão disponibilizados ao partido serão entregues ao governador”, acrescentou. 

Desta forma, serão colocados à disposição do governador os cargos do secretário de Ciência e Tecnologia (Secitec), Domingos Sávio, do presidente da Empresa Mato-grossense de Pesquisa e Extensão Rural (Empaer), Layr Motta, e do presidente da Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados (Ager), Eduardo Moura, além dos cargos de escalões inferiores que foram indicados pelo partido. Moura informou à imprensa que pedirá demissão, já que possui mandato de presidente com vigência até 2020. Os cargos das cotas pessoais dos deputados não serão entregues. 

“Acabou o caciquismo no PSD. Aqui ninguém manda, ninguém decide sozinho. Vou trabalhar muito para manter a unidade do PSD. Mas se alguém se sentir muito insatisfeito e achar que tem outro projeto, não pode reclamar que o partido o deixou preso depois do dia 7 de abril”, disse Fávaro. 

Diante dessa decisão, existe a possibilidade de o deputado estadual Gilmar Fabris deixar a legenda. Os demais deputados da sigla garantem que irão acatar a decisão da maioria. 

O presidente da Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), Neurilan Fraga, por sua vez, comemorou o resultado da reunião. “O presidente Carlos Fávaro, a partir de agora terá toda liberdade para construir um bom projeto para Mato Grosso e para o partido. Liberdade para conversar tanto com a situação, como com a oposição. Isso e um avanço muito grande. Vamos colocar à disposição do governo os cargos que o partido detém para que o governo se senti tranquilo e nenhum um tipo de trauma. Agora, o que importa, é que nós tenhamos um projeto de desenvolvimento sustentável para que Mato Grosso saia dessa marasmo que se encontra, deste caos econômico e financeiro e de gestão e tenha um rumo diferente”, disse. 

AMILA ARRUDA - Da Reportagem

Diario de Cuiabá

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