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Suplicy: 'Diferentemente de Doria, nunca falei que não seria candidato'
27/03/2018 13:15 em Politíca

Vereador se diz pronto para disputar vaga no Senado contra ex-mulher Marta Suplicy e defende descriminalização da maconha.

 

No final da tarde de sexta-feira 23, o vereador Eduardo Suplicy finalizava com sua equipe o discurso que faria no dia seguinte no encontro estadual do PT, onde foi confirmado como candidato ao Senado com apoio 79% dos delegados petistas reunidos em São Paulo.

Suplicy recebeu CartaCapital em seu gabinete após a reunião e, pouco depois, cantarolou o samba mais famoso de Paulo Vanzolini para explicar a motivação em disputar um cargo já ocupado por 24 anos e para o qual foi derrotado por José Serra (PSDB) em 2014. “O homem de moral, se ele sofre uma queda, não desanima. Nem mesmo segura a mão da mulher que lhe dá mão: ‘Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima’”, canta. “Foi o que São Paulo me proporcionou”, emenda.

 
 

A volta por cima a que se refere foi a votação expressiva para a Câmara Municipal em 2016, quando obteve 301.446 votos – número decorado e mencionado quatro vezes ao longo da entrevista de uma hora e meia. “Eu tive a maior votação da história para um vereador em São Paulo e no Brasil. E aconteceu um fenômeno (de popularidade)", diz.

Ele conta que mal conseguiu assistir a um show de Chico Buarque, no início do mês, por causa do assédio de fãs dele e do cantor. "Se você sair comigo na rua (vai ver) uma coisa que nunca tinha acontecido tão fortemente como agora (pedidos de selfie). Houve como que um reconhecimento. Muitos querem que eu seja governador, outros senador. Então, eu resolvi novamente ser candidato”, afirma.

O argumento foi usado para desmobilizar movimento do PT da tentativa de lançá-lo à Câmara dos Deputados, como puxador de votos da bancada federal. A legenda queria reproduzir o feito da eleição para a Câmara Municipal, onde foi responsável na prática por três cadeiras. "Uma coisa é ser um em 513 (deputados) e um em 81 senadores", compara.

O PT recuou e, agora, Suplicy provoca o prefeito João Doria (PSDB). O tucano é criticado por parte dos paulistanos por deixar o comando da cidade para concorrer ao governo paulista. “Diferentemente do caso do João Doria, que diz que ia ser prefeito até 2020, as pessoas disseram que iam me eleger vereador para voltar ao Senado. Eu ouço muito isso. Eu nunca falei que não (seria candidato no meio do mandato), disse que era uma possibilidade sim (disputar o Senado)”, compara.

Suplicy x Marta

Às vésperas de completar 77 anos, em junho, Suplicy se diz pronto para a “pronto para a batalha e com boa saúde”. Faz ginástica duas vezes por semana, além de caminhadas matinais na região da Faria Lima, onde mora.

A batalha talvez seja travada contra a senadora Marta Suplicy (MDB), com quem foi casado por 36 anos e teve três filhos. Ela pode disputar a reeleição em outubro, a primeira contra o ex-marido.

O eleitor paulista também pode se ver no ineditismo de ter de escolher entre candidatos de mesmo sobrenome disputando, em campos opostos, uma eleição majoritária.

O confronto foi tema de conversa entre Suplicy e Marta dia 18 de março, quando ligou para parabeniza-la pelo aniversário de 73 anos. “Terei com ela um diálogo de maior respeito. Há muitos pontos que nós estamos de acordo, ela comentou que sim”, relata.

Marta aguarda uma posição do MDB. A legenda pode abrir mão de candidatura própria ao Senado para apoiar o deputado federal Rodrigo Garcia (DEM). A negociação da coligação da candidatura do presidente da Fiesp Paulo Skaf ao Palácio dos Bandeirantes.

Aventa-se em Brasília a possibilidade de Marta disputar uma vaga na Câmara dos Deputados, mas a senadora resiste à proposta do MDB. “Ela aguarda até junho para decidir”, diz o vereador.

A única crítica dele à ex-mulher ocorre quando comenta a saída dela do PT para o MDB. Suplicy recorda que Marta entrou na política via PT, pelo qual foi eleita deputada federal, prefeita de São Paulo, senadora e chefiou os ministérios do Turismo e da Cultura.

O histórico foi registrado em carta “especial” em que relembrava “episódios relacionados a mim (Suplicy) e ao PT”, enviada em 2016 por ocasião do trâmite do processo de impeachment de Dilma Rousseff no Senado. “Transmiti a ela: ‘Você tem mais elementos do que eu para saber da honestidade da Dilma’”, conta. “É fato que ela antes da escolha definitiva da Dilma (como sucessora do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva), de 2013 para 2014, vinha sugerindo que o Lula indicasse outra pessoa. Ela até propôs para ele (Lula) ser candidato (ao terceiro mandato)”, recorda.

Legalização da maconha

Caso consiga se manter na disputa pelo Senado, a senadora terá de posicionar sobre um tema que Suplicy pretende pautar na campanha: descriminalização da maconha. “Ela falou que é a favor da liberação da maconha para fins medicinais, ela tem até um projeto nessa direção”, observa.

O vereador avalia estar na hora de “realizar uma experiência como a do Uruguai”, legalizando o consumo da cannabis com venda em farmácia e plantio doméstico. Cita Portugal e parte dos Estados Unidos como experiências a serem avaliadas. “Estou aberto para estudar a questão da descriminalização da maconha e possivelmente de outras drogas. Como o Fernando Henrique, que tem argumentado a respeito”, afirma.

 

Marta Suplicy
Em carta para Marta, Suplicy recordou começo de ambos no PT (Foto: André Corrêa / Ag. Senado)

Outro objetivo no Senado, se eleito, ele diz ser a criação de mecanismos para implantação de “instrumentos de política econômica que vão elevar o grau de justiça na sociedade, não apenas a renda básica”.

A ideia de uma renda básica paga pelo Estado a todo brasileiro, independente da classe social, é a principal bandeira política de Suplicy. Seu livro sobre o tema está na 7ª edição e ele prepara a 8ª.

Mas entre uma afirmação e outra sobre a importância do tema, é possível ouvir do petista sobre temas da pauta atual do seu partido. Entre eles, a possível prisão de Lula.

Suplicy avalia como injusta a condenação do ex-presidente a 12 anos e um mês de prisão no caso do tríplex do Guarujá. Ele espera que o Supremo Tribunal Federal (STF)permita que Lula vá ao plenário da Corte dia 4 de abril, quando um habeas corpus para não ser preso em razão da decisão de segunda instância será apreciado.

Não é praxe do STF receber réus para depoimento, mas o vereador defender uma exceção. “Acredito que os ministros do Supremo assegurarão ao Lula o completo direito de defesa que ele ainda não teve, inclusive com a possibilidade de falar pessoalmente”, apela.

Ele confia que o ex-presidente irá comprovar que não cometeu atos ilícitos. “Se isso acontecer, teremos a candidatura do presidente Lula. É o que esperamos”, acredita.

Carta Capital

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