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Nas vésperas dos 300 Anos, Cultura de Cuiabá é questionada. O que faz o secretário Francisco Vuolo?
28/06/2018 09:04 em Cultura

A contagem regressiva para os 300 Anos de Cuiabá já se iniciou mas existe um setor da gestão do prefeito Emanuel Pinheiro que tem sido cada vez mais questionado. É o setor da Cultura.

Estamos indo para o segundo ano de gestão do prefeito Emanuel e a Cultura se revela como uma pasta sem planejamento estratégico. Padece sem projetos de eficácia, com o patrimônio cultural esquecido, sem projetos de ocupação e vejo o segmento cultural ensaiando uma revolta, já que reclamam artistas e produtores culturais que o secretário Francisco Vuolo, titular da Cultura, frustrando as expectativas iniciais e mesmo percebendo, certamente, todo esse descompassado, tem dialogado com muito pouca gente, só com aqueles que mantém dentro ou próximo ao seu gabinete. E sem diálogo mais amplo, o desentendimento entre as partes acaba se estabelecendo.

Projetos  que vem sendo tocados pela secretaria comandada por Vuolo, como o Piano Gente, nas praças públicas, não tem atraído a população. Pelo contrário, servem de razão para novas críticas à gestão da secretaria. Segundo informações que me chegam, este projeto, para ser tocado, teve como grande aval o fato de ser de autoria de um parente do secretário municipal de Cultura, Esporte e Turismo, Francisco Vuolo. Não parece que este seja o melhor critério para avalizar seja lá o que for. Ainda mais quando se lembra o que aconteceu com os primos do governador Zé Pedro Taques que foram chamados a atuar junto com o tucano na gestão lá do Paiaguás.

Reaberto há poucos dias, o Museu da Imagem e do Som de Cuiabá – Misc  também não tem tido visitações. Alunos da própria rede pública municipal de ensino não são mobilizados para frequentar o Misc por que, pelo que se percebe, não existe planejamento, nem programação e as exposições que deveriam seguir um calendário anual, não se firmam. Por que não temos uma sintonia fina entre o trabalho das pastas da Cultura e da Educação? Talvez como explicação para esta situação constrangedora, chega-nos a informação de que os funcionários do Misc estão com seus salários atrasados. Será que o prefeito Emanuel  Pinheiro, que tem feito da regularidade do pagamento de salários uma das referências de sua administração, está sabendo disso?

Lá no Museu do Rio, que deveria ser um dos mais notados e notáveis equipamentos culturais de Cuiabá, só funciona o restaurante, tocado por uma empresa privada. Vejam que absurdo: os banheiros naquele local estão fechados para uso e o Museu não conta com  programação nenhuma. Os turistas e visitantes aparecem levados pelo acaso, o que só tem gerado desestímulo e muitas críticas, como as explosões recentes do radialista e apresentador de TV Roberto França que, em seu programa Resumo do Dia, e em altos brados, acusou a atual gestão de estar dilapidando um espaço cultural inaugurado justamente durante a sua temporada como prefeito de Cuiabá. Como é que o mesmo Vuolo, que participou da gestão de Roberto França, pode agora ser alvo de crítica tão contundente? O que foi que mudou? Mudou o Museu do Rio ou mudou o Vuolo?

Não tenho o vozeirão do Roberto França mas gostaria de apelar para que o secretário Vuolo, de família tradicional cuiabana e com tantos serviços prestados, no passado, atente para a necessidade de que a secretaria de Cultura dê uma volta por cima. O espaço para atuação é enorme, só é preciso planejar para realizar. A classe cultural sempre foi parceira e Vuolo sabe muito bem que pode contar com ela, desde que estabeleça um contínuo debate com esses agentes fundamentais para a dinamização da Cultura na capital. Quais seriam as razões para que o secretário Vuolo se mostre tão refratário a uma conversa de olho no olho com todos aqueles que se preocupam com o rumo da Cultura em Cuiabá?

Por tudo isso, o que constato é que segmento Cultura segue sem muita esperança de que a atual gestão volte os seus olhares para o segmento já que, segundo dizem muitos de seus batalhadores, a Prefeitura, hoje em dia, parece focada apenas na promoção de shows e de entretenimento, esquecendo do importante valor da Cultura para a transformação de nossa sociedade.

Não é de bom tom permitir que a Cultura de Cuiabá desabe como desabou a Casa de Bem Bem.

Reaja, Vuolo! Ainda há tempo para construir, através do diálogo, uma gestão respeitável.

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