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Taques começa torrar os R$ 70 milhões da mídia comprando matéria no Estadão.
14/06/2016 09:55 em Politíca

O governo do estado começou torrar os R$ 70 milhões com propaganda, e resolveu fazê-lo no mercado paulista, comprando matéria elogiosa no jornal Estado de São Paulo (estadão), para ser repercutida na imprensa local.

A reportagem, que teve bastante acesso na mídia ligada ao Paiaguás, mostra uma mentira atrás da outra, embora tenha sido elogiada por setores governistas, e teve até dono de agência de publicidade saindo nas redes sociais defendendo ferozmente o gasto com propaganda.

O Muvuca Popular fez uma releitura do que publicou o Estadão, completando trechos que foram esquecidos pelo periódico, colocando Taques como marxista só porque tem um quadro pendurado na parede da sala, sem saber, sequer, o que o autor d’O Capital escreveu sobre a luta de classes.

À partir desta segunda o governo começa fazer uma campanha avaliada em cinco milhões bancando toda a mídia local (Até o Muvuca Popular foi chamado), onde vai tentar colocar a opinião pública contra os servidores em greve.

Confira abaixo a matéria do Estadão, os trechos entre parênteses em azul são do MPopular:


Pedro Venceslau / O Estado de São Paulo

Autor de ajuste fiscal contra "colapso" de Mato Grosso, Taques enfrenta greves e protestos

No apartamento com vista panorâmica para Cuiabá, um quadro de Karl Marx, o grande teórico do comunismo, (comunismo esse que Taques disse recentemente que é preciso combater para Mato Grosso não virar uma Venezuela), ocupa a parede central da sala e chama a atenção dos visitantes, (como é o caso do visitante dono da empreiteira Encomind, que foi interceptado pela Polícia Federal sendo chamado por Taques para tomar um cafezinho). (A propósito, o repórter produziu até uma foto no apartamento do governador para estampar a matéria)

O dono do espaço (avaliado em mais de R$ 1 milhão de reais), porém, não é um governante do PT (Partido por qual Taques nutre ódio) ou de qualquer outro partido de esquerda (Taques é de extrema direita neo-liberal), mas o ex-procurador Pedro Taques, 48 anos, governador do Mato Grosso desde janeiro de 2015 e filiado ao PSDB desde agosto do ano passado, quando deixou o PDT (após ser praticamente expulso do PDT).

Ainda uma esfinge para o tucanato (Ninguém acredita mais em Pedro Taques, e seu partido o vê com reservas), o (jornal) Estado acompanhou, durante dois dias (mas ninguém revelou quanto o governo midiático de Pedro Taques pagou para o jornal), os bastidores da ação de Taques após seu governo implementar um pacote de ajuste fiscal (mentira deslavada, ninguém viu esse pacote e a única coisa que houve foi um calote geral no estado).

Cristão novo no ninho, Taques foi o primeiro governador do PSDB a pedir o impeachment de Dilma Rousseff (a mando do tucanato nacional em troca de algumas entrevistas em veículos como Roda Viva e Revista Veja), mas se colocou contra a ocupação de ministérios pela legenda quando o impedimento se consolidou (pois era ele quem queria indicar, mas foi chutado por Temer logo na primeira visita oficial).

Hoje, Taques é vanguarda novamente ao repetir para Michel Temer, de quem foi aluno no curso preparatório para procurador, em São Paulo, as mesmas cobranças que fez à presidente afastada. E no mesmo tom. “Espero que o Governo Federal estabeleça uma carência de dois anos para o pagamento das dívidas. Há, ainda, as dívidas contraídas pelos estados que foram sede da Copa do Mundo. A União tem responsabilidade nisso. Não tenho culpa se perdemos de 7 a 1 para a Alemanha”, compara. (Na prática, Taques está sendo ele mesmo, após ter dado calote em metade do estado, agora está propondo calote no próprio governo Temer, que diz apoiar).

Tempestade perfeita

O pacote de ajuste fiscal de Taques (também conhecido como calote geral), mesmo tendo provocado uma tempestade perfeita (Só não foi perfeita para a população que precisa do serviço públic e encontra hospitais fechados e o funcionalismo que encontra as perdas inflacionárias no final do mês) , foi feito para evitar, segundo ele, o “colapso” da administração. (O que é outra grande mentira, já que Taques reserva para empreiteiros, poderes e para a mídia, incluindo o Estadão, a maior fatia do bolo do estado).

As medidas atingiram indiscriminadamente os três poderes locais, os servidores públicos, os estudantes e o agronegócio (O estadão precisa explicar para seu leitor que servidores públicos, estudantes e agronegócio não são poderes). Uma greve geral foi deflagrada na semana passada e envolve quase todas as categorias do serviço público (Isso é verdade!).

A demanda é um aumento de 11,28%, equivalente à inflação, no momento em que 25 dos 27 estados não ofereceram nada (Aqui a reportagem dá uma reforçada no principal argumento do governo e acaba revelando que o jornal também foi comprado pelos R$ 70 milhões da mídia). 

O Judiciário e o Legislativo (esses sim são poderes), por sua vez, não aceitam a redução do repasses de 15% no duodécimo (o estadão mistura 2016 com 2017 e faz uma lambança num dos jornais mais respeitados do país o que está em discussão é o RGA de 2016, a redução do duodécimo é 2017), agricultores repudiam a ideia de taxar commodities agrícolas e sindicalistas são contrários ao projeto de promover Parcerias Público Privadas na Educação (A reação contra as PPP’s partiu dos estudantes. A verdade é que o repórter do jornal passou os dois dias no gabinete e no apartamento do governador tirando foto e não apurou direito a matéria).

Dezenas de escolas foram ocupadas em um movimento similar ao que começou em São Paulo, na gestão Geraldo Alckmin (PSDB). O discurso dos ativistas parece ter saído de um manual comum (Olha mais um sinal de que a matéria foi comprada).

“Pedro Taques é golpista. Ele não paga a reposição salarial e faz PPPs. O governador está terceirizando a Educação e jogando ela para a iniciativa privada”, brada João Custódio, presidente em Cuiabá do Sindicato dos Profissionais da Educação do Mato Grosso (Isso também é verdade!).

Uma dezena de manifestantes tem passado parte dos últimos dias em um acampamento instalado no entorno do Palácio Paiaguás, sede do governo. Pedro Taques escuta o som do alto falante de sua mesa com a mesma normalidade com que recebe diariamente lideranças de todas categorias em formato de assembleia com direito a microfone aberto (Agora o jornal apelou feio, Taques nunca, mas nunca mesmo conseguiu travar uma discussão aberta por pura dificuldade em lhe dar com opiniões contrárias, pelo contrário, as reuniões que tem mais gente do que ele próprio para falar, são conduzidas pelo secretariado).

Só sai dos encontros, que chegam a durar quatro horas consecutivas, quando o assunto se esgota e ninguém mais pede a palavra (Toda criança de cinco anos que mora em Mato Grosso sabe que não é bem assim, aliás, quanto o estadão está recebendo mesmo para contar esse mentira?). A peça de resistência das intervenções de Taques baseia-se em uma equação desconcertante. (Está difícil continuar lendo a reportagem...)

Mato Grosso é um estado rico e seu orçamento previsto para 2016 cresceu 6% em relação ao ano passado. Até aí, beleza. Mas o gasto com o funcionalismo vem crescendo de forma vertiginosa, como em vários entes federativos, e já é responsável por 50% desse valor (Nem mencionou que Taques pegou o estado dentro do limite da LRF e foi no governo dele que estourou, e um dos responsáveis foi o crescimento dos cargos comissionados e cabides de emprego em que se transformou o estado).

Em 2014, ano eleitoral, o governo anterior, do PMDB, aprovou 31 leis de carreira com aumento salarial (A reportagem parece ter sido escrita até pela Ana Rosa Fagundes, assessora de imprensa do governador). No final das contas (e pagas às dividas) sobram entre 3% e 6% para investimento. O antecesssor de Taques, Silval Barbosa, foi preso em uma investigação sobre um esquema de corrupção com ramificação em todos os poderes (Já já o estadão também coloca a culpa de tudo no Silval...).  

“Mato Grosso tem R$ 17,5 bi de orçamento, mas para investir só R$ 350 milhões. Não chega a 2%”, diz Taques (É estranho como diz não ter dinheiro para investimento mas faz tantos repasses suplementares para os poderes e tantos gastos com viagens e bobagens em geral).

Corrupção

O governador criou a primeira secretaria de Transparência e Combate à Corrupção do Brasil (Que até agora não disse para que veio e serve apenas como cabide de emprego para cabo eleitoral). No último dia 16 de maio, foi além e, por decreto, tornou obrigatório um dispositivo que prevê a rescisão, por parte do governo, dos contratos com empresas alvo de investigação de corrupção (Letra morta, o próprio governo aditivou uma empresa que foi pega roubando R$ 56 milhões na Secretaria de Educação – Operação Rêmora -, isso mesmo depois que seu dono foi preso).

“Está em todos os contratos. Os anteriores tiveram aditivo contratual”, explica a secretaria Adriana Vandoni (A cabo eleitoral de longa data ocupante do cabidão de emprego).

Poucos dias antes da assinatura do decreto, porém, Pedro Taques enfrentou o primeiro escândalo de sua gestão.          

O Gaeco, força de elite do Ministério Público, deflagrou a Operação Rêmora para combater fraudes em licitações e contratos administrativos de construções e reformas de escolas que teriam ocorrido na Secretaria de Educação de Mato Grosso.

As irregularidades em processos de licitação teriam começado a ocorrer em outubro de 2015 e atingem 23 obras de reforma e construção de escolas públicas que somam R$ 56 milhões.

O esquema envolveu servidores da Seduc. No dia seguinte, o secretário Permínio Pinto, do PSDB, foi exonerado da  Secretaria de Educação do Estado de Mato Grosso (Não sem antes ter uma reunião particular com o governador, de onde saiu elogiado).

“Nós pedimos o direito de defesa para evitar decisões sumárias, mas apoiamos a medida. Estamos combatendo a corrupção interna e externa”, diz o empresário Júlio Flávio Miranda, presidente do Sindicato da Construção Civil do Mato Grosso (Filho de Jorge Pires, que já foi preso por fraude nas obras do PAC e tem inúmeros contratos com o governo, inclusive com buffet da esposa).

Plataformas

Para evitar a "paralisação" do Estado, Taques elaborou uma agenda de ações e parcerias com o mercado. Aprovou a lei que isenta o querosene de aviação do ICMS e fechou uma aliança com a empresa aérea Azul (Para ajudar o agronegócio). O aeroporto da Capital foi internacionalizado e será um hub regional (Taques não deu conta e o Aeroporto foi tomado pelo Governo Federal. A ideia é abrir voos de Cuiabá para a Bolívia, Chile, Paraguai e Miami (Fazendo propaganda com chepéu alheio).

Em parceria com o ministro das Relações Exteriores, José Serra (PSDB), planeja desenvolver o Zicosur - Zona integração do Centro-Oeste Sul-Americana. Um embaixador enviado pelo chanceler foi ao Mato Grosso falar sobre integração.

É um plano ousado em plena crise, mas pode significar uma porta para voos mais altos na encruzilhada no marxista tucano (Aqui o jornal encerra a reportagem comprada sugerindo que Taques se candidate a cargos mais altos, como presidente da república, por exemplo. O repórter talvez não tenha ido as ruas, para perceber que vai ser difícil a eleição de Taques até para vereador, caso se aventure).

fonte: muvucapopular

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