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Indígenas ocupam prefeitura contra municipalização da saúde
28/03/2019 08:20 em Direitos Humanos

Indígenas Kurâ-Bakairi protestaram nesta quarta-feira, 27, em Nobres (à 140 km de Cuiabá) contra a proposta do Governo Federal de municipalizar os serviços de saúde as comunidades indígenas.

"O novo Ministro Mandetta propôs estadualizar a saúde indígena, ele quer extinguir a SESAI, jogando a responsabilidade para o Estado e para o município. Essa propostade do governo federal é um retrocesso, por isso indígenas se manifestaram no Brasil todo. Hoje foi só o primeiro dia, nós iremos até o dia 29 de março”, afirmou Valdomiro Soare, presidente do Conselho Distrital de Saúde Indígena (Condisi) de Cuiabá.

Liderados pelo cacique Arnaldo Silva, 50 representantes do povo Kurâ-Bakairi solicitaram apoio do prefeito Leocir Hanel para sensibilizar a bancada federal e impedir a proposta.  

“Entregar a saúde indígena nas mãos do Estado, vai ser um caos. A SESAI possui sua equipe própria de médicos, enfermeiros e dentistas, e esses profissionais atuam nas suas áreas. Com a SESAI, os médicos vão até as aldeias, sabendo que se estadualizar ou municipalizar, essa esquipe não estarão mais nas aldeias”, afirmou Valdomiro.  

Conforme a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), a municipalização da saúde indígena representa um genocídio aos povos originários.  

A mudança circulava nos bastidores do governo federal, desde que o presidente Jair Bolsonaro (PSL) foi eleito. Porém, o discurso do Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, mostrou que o projeto não é apenas um boato. Assim, a possível extinção da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), deixou os indígenas preocupados, que decidiram organizar protestos por todo o Brasil e em várias cidades de Mato Grosso. 

O secretário Marcos Cheba, de Nobres, enfatizou que também discorda da medida do governo federal, alegando não terem condições de prestar o serviço de saúde, da forma como foi imposta pelo Ministério.  

“O problema é que a maioria dos municípios não tem recursos nem preparação para garantir um atendimento dentro das especificidades de saúde que os povos indígenas necessitam. Nós vemos tudo isto como um retrocesso histórico para as comunidades indígenas”, declarou.

Indígenas do povo Cinta Larga e Arara também fizeram protestos em Aripuanã (1200 km de Cuiabá) contra à proposta do governo. Em Canarana (832 km de Cuiabá) lideranças do Parque Nacional do Xingu se reuniram para protestar contra a municipalização. 

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Indígenas do povo Pareci escreveram uma carta contra a municipalização:

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