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Trabalhadores e estudantes voltam às ruas em MT
31/05/2019 07:34 em Politíca

O movimento também colocou em pauta a Reforma da Previdência e serviu como preparação para a greve geral marcada para 14 de junho.

 

Pela segunda vez, professores, estudantes e trabalhadores ligados às instituições de ensino federais, estaduais e municipais foram para as ruas, ontem (30), em defesa da educação pública, em Mato Grosso. Em todo país, entidades estudantis e sindicais convocaram mobilizações para fortalecer a luta contra os cortes de orçamento para a educação adotados pelo governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL). 

Intitulado como “Segundo dia nacional de lutas em defesa da educação pública”, o movimento também colocou em pauta a Reforma da Previdência e serviu como preparação para a greve geral convocada pelas centrais sindicais para 14 de junho próximo. Ontem, além da paralisação, os profissionais da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Cuiabá, realizaram outras atividades, como panfletagem, adesivaço, faixas e carreata até o ato unificado, com ônibus e carona solidária aos manifestantes que saírem do campus da universidade até à Praça Alencastro, no Centro. 

O movimento teve ainda adesão de profissionais da rede estadual de ensino, em greve geral desde a última segunda-feira (27) e do Instituto Federal (IFMT). Entre a UFMT e o IFMT, que contam com aproximadamente 50 mil estudantes distribuídos pelos campi, os bloqueios no orçamento são da ordem de R$ 65 milhões. Caso a situação não se reverta, a previsão é que as atividades sejam mantidas até julho ou agosto próximo. 

No Estado, também ocorreram atos em Rondonópolis, Tangará da Serra, Sinop e em Barra do Garças (516 quilômetros, ao Oeste de Cuiabá). Neste último município, por exemplo, houve panfletagem nos sinaleiros da Avenida Ministro João Alberto com a Rua do Posto Zampa e da Avenida Ministro João Alberto, na Praça do Índio. A concentração foi às 13h30, no Plenário da Câmara Municipal de Vereadores da cidade. 

Em Sinop (503 quilômetros, ao Norte), os organizadores planejaram uma roda de conversa com o tema “Os ataques às universidades públicas brasileiras no contexto de ajuste fiscal e aprofundamento da privatização do ensino superior”; debates a partir da apresentação do documentário "Dedo na Ferida", do diretor Silvio Tendler; além de um workshop para construção da greve geral do próximo dia 14. 

Este foi o segundo protesto no mês, em todo país. No último dia 15 de maio, cerca de cinco pessoas participaram do ato somente na capital mato-grossense. Na ocasião, o presidente Bolsonaro chegou a dizer que os estudantes que estavam protestando eram “idiotas úteis”, “imbecis”, “massa de manobra sem nada na cabeça”. “É inconcebível que um chefe de Estado se refira desta forma a uma parte significativa da população que reivindica legitimamente seus direitos”, disse a diretora de Imprensa da Associação dos Docentes da UFMT (Adufmat), Lélica Lacerda. 

O movimento de ontem foi convocado pelo Sindicato Nacional dos Docentes (Andes), Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Fasubra, Sindicato Nacional dos Servidores (Sinasefe), Federação Nacional dos Estudantes em Ensino Técnico (Fenet), União Nacional dos Estudantes (UNE) e União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes). Pela manhã, um levantamento da UNE e da CUT, apontava que cerca de 150 cidades estavam com manifestações marcadas, seja por secundaristas, universitários, pós-graduandos, professores e trabalhadores. 

Profissionais da Educação avaliam que, desde 2015, as discussões acerca de uma mudança no projeto neoliberal indicavam o avanço do conservadorismo e a possível eleição de um governo autoritário. O entendimento é de que a ruptura com o Estado democrático de direito a partir da Emenda Constitucional 95/16, que congela os recursos para saúde, educação, assistência social, entre outros, por 20 anos, violando a Constituição Federal, já começa a provocar situações gravíssimas. 

De acordo com informações do governo federal, a queda na arrecadação obrigou a contenção de recursos. O bloqueio deverá voltar a ser avaliado posteriormente. Conforme o Ministério da Educação (MEC), o bloqueio é nas chamadas despesas discricionárias, aquelas consideradas não obrigatórias, que incluem gastos como contas de água, luz, compra de material básico, contratação de terceirizados e realização de pesquisas. 

AUDIÊNCIA – Na quarta-feira (29), em Brasília, a reitora da UFMT, professora Myrian Serra, participou de audiência com o Ministro da Educação, Abraham Weintraub, juntamente com a bancada de deputados federais e senadores de Mato Grosso e outros representantes de instituições públicas de ensino superior do estado. O objetivo do encontro foi debater os impactos do corte de 30% no orçamento universitário e outras questões referentes à pasta. 

Após apresentar um diagnóstico da universidade e sua importância, a reitora da UFMT avaliou a agenda como positiva, uma vez que o ministro sinalizou a possibilidade de reversão do corte no segundo semestre, se houver aumento na arrecadação. Ao final, ficou decidido o encaminhamento de todas as demandas das instituições presentes para o coordenador da bancada, deputado federal Neri Geller. 

 

Diário de Cuiabá

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