Sebastião Biano, 100 anos, toca a história da Banda de Pífanos de Caruaru
23/07/2019 07:52 em Cultura

Único remanescente do grupo original, Seu Biano se apresenta neste final de semana no Sesc Pompeia, em São Paulo.

Sebastião Piano assoprou um pífano (uma espécie de flauta) pela primeira vez aos 5 anos, em 1924, quando o pai, Manuel, agricultor e vaqueiro, criou um grupo que inicialmente tocava em cerimônias religiosas – enterros de “anjos” (crianças). Seu talento consolidou-se pelo interior, mas só criou fama nacional a partir dos anos 1970, quando Gilberto Gil, que voltara havia pouco ao Brasil, se encantou e gravou Pipoca Moderna, com a Banda de Pífanos de Caruaru. É a primeira faixa do LP Expresso 2222, de 1972, quando a própria banda lançou seu primeiro álbum.

Em 1975, seria a vez de Caetano Veloso gravar Pipoca Moderna, com letra. Pois “seu” Biano, como é conhecido, continua na ativa, aos 100 anos. Único remanescente da formação original, ele tocará neste final de semana em São Paulo.

O centenário foi completado em 23 de junho, quando Sebastião Biano – que mora na capital paulista desde 1978 – foi homenageado durante a tradicional festa de São João de Caruaru, onde o grupo se estabeleceu em 15 de julho de 1939, em uma região rural. Nascido em Mata Grande, sertão alagoano, ele já contou que “quando estava seco e não tinha o que comer” o pai mudava para “um canto melhor”, e assim ia fazendo, desde 1926 até conseguir se fixar em Caruaru, em 1939. Aos 7 anos, o menino tocou para Lampião.

As apresentações de “seu” Biano ocorrem no sábado (27), às 21h, e no domingo (28), às 18h30, no Sesc Pompeia (Rua Clélia, 93, na zona oeste de São Paulo). No primeiro dia, o show tem participação de Zeca Baleiro. No segundo, Biano se apresenta com o grupo paulista A Barca. O ator Gero Camilo estará no palco nos dois dias, contando “causos”.

Operário durante duas décadas, Sebastião nunca largou a música. Já tocou com ícones da música modernista e brasileira, como Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro e Geraldo Azevedo. Mas o primeiro álbum solo só saiu em 2015, aos 96 anos. “Às vezes falta fôlego no começo ou no fim da música”, diz ele, acompanhado pelo grupo Terno Esquenta Muié, com Júnior Kaboclo (segundo pífano), Eder “O” Rocha (zabumba e bateria), Renata Amaral (baixo) e Filpo Ribeiro (viola, rabeca e marimbau).

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Rede Brasil Atual

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