data
-- Hora Certa:
Rede de "laranjas" ajudou Valdir Piran a receber propinas
25/10/2019 10:02 em Politíca

empresário Valdir Piran utilizou parentes, sócios e até funcionários para receber propina proveniente de dinheiro público desviado. Piran foi preso na terça (22), acusado de ser um dos líderes de um esquema que desviou pelo menos R$ 10 milhões dos cofres públicos.

A Operação Quadro Negro, deflagrada pela Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor), investigou dois contratos do antigo Centro de Processamento de Dados de Mato Grosso (Cepromat), atual MTI, com a empresa Avançar Tecnologia e Software, anteriormente denominada Realizar Tecnologia em Software. Esta empresa teria ligações com a Valdir Agostinho Piran, segundo a Polícia Civil.

O contrato firmado serviria para a entrega de softwares de educação em escolas públicas de Cuiabá e Várzea Grande. Relatórios da Controladoria Geral do Estado (CGE) apontaram que o serviço não foi prestado e que produtos não foram entregues. O valor pago pelo governo estadual teria sido desviado pelo proprietário da empresa.

Segundo a representação entregue pela Deccor à 7ª Vara Criminal, Piran utilizou funcionários, um concunhado, o irmão e até funcionários para receber cerca de R$ 740 mil de um destes contratos.

Logo após a empresa Avançar ser beneficiada com os créditos transferidos pelo governo de Mato Grosso, ocorreram várias transações que vinculam o proveito criminoso ao investigado Valdir Piran, diz trecho da representação.

Segundo o documento, um dos que receberam recursos foi o concunhado de Valdir Piran. Ele teria recebido R$ 92 mil no primeiro de setembro de 2014.

Nove dias depois, a Avançar pagou R$ 194 mil à uma empresa que comercializa veículos de luxo e que pertence a um irmão de Valdir Piran. Um dia depois, no dia 11, a Avançar pagou em cheques o valor de R$ 194 mil a uma mulher, que na época tinha participação societária na empresa.

Ela é citada em outra investigação, decorrente da Operação Sodoma, como sócia de uma empresa que teria participado da desapropriação do Jardim Liberdade e que provocou um desvio de R$ 31 milhões. O próprio Silval alegou, em sua delação, que parte do dinheiro da desapropriação teria servido para pagar Piran.

A Avançar também emitiu três cheques em nome de um homem que totalizaram R$ 123 mil. Ele é funcionário da empresa V.R. Fomento Mercantil Ltda, que tem entre os sócios Valcir José Piran, irmão de Valdir, suposto líder do esquema.
O funcionário citado também é irmão de outras duas pessoas investigadas na Operação Sodoma 4, acusados de receber cheques como propina no valor de R$ 95 mil e R$ 285 mil. Os cheques teriam sido emitidos por um advogado. Na ocasião, segundo as investigações, os valores também foram destinados a Piran.

As investigações da Operação Quadro Negro também apontaram que a Avançar e a Embrated - Empresa Brasileira de Tecnologia Educacional Ltda., que são do mesmo grupo, pagaram R$ 137 mil a um ex-funcionário da Piran Sociedade de Fomento Mercantil Ltda, empresa de Valdir.

A Avançar também pagou R$ 2 milhões em cheques para uma amiga pessoal de Weydson Fonteles, dono da Avançar, que seria laranja de Piran. Os cheques, no entanto, foram estornados, por ausência de recursos.

Origem das investigações

O esquema foi descoberto a partir de relatório técnico elaborado pela Controladoria Geral do Estado (CGE-MT) sobre os contratos 013/2014 e 014/2014, ambos com a Avançar Tecnologia. Os auditores descobriram que a empresa praticamente não entregou nenhum dos produtos e serviços previstos em contrato, provocando um rombo de R$ 7,96 milhões que, quando atualizados, representam R$ 10,43 milhões de prejuízo.

Um dos problemas foi em relação aos títulos de aulas interativas. A empresa forneceu 815 títulos, mas havia 101 títulos com conteúdo em branco. Além disso, os títulos apresentavam o mesmo conteúdo para séries diferentes, 56 aulas interativas foram apresentadas tanto para o 1º ano como para alunos até do 9º ano.

Os auditores também encontraram um grande número de títulos desatualizados, que falavam da Copa do Mundo da África do Sul, realizada quatro anos antes, e aulas sobre municípios paulistas, que tratavam de pontos turísticos dos municípios de Cotia e Tatuí.

A CGE também encontrou produtos instalados de forma irregular e softwares sem licença. No total, 60% das escolas contempladas no contrato não possuíam softwares e outras 40% tiveram os programas de computador instalados de forma irregular.

Delações

Estas informações foram usadas como ponto de partida pelos agentes da Deccor, mas a principal colaboração as investigações foi fornecida pelas delações premiadas de figurações da política mato-grossense, como o ex-governador Silval Barbosa e o ex-secretário de Fazenda, Pedro Nadaf.

Nadaf e Barbosa contaram, em seus depoimentos, que os contratos no Cepromat foram usados para quitar dívida que o ex-governador Blairo Maggi (PP) possuía com Piran, débito que foi herdado por Silval quando assumiu o governo. Na delação, Barbosa conta que Weydson concordou em repassar os valores recebidos pelo contrato para Piran. A indicação de Weydson, aliás, foi feita pelo próprio Piran, segundo a delação.

Muvuca Popular

COMENTÁRIOS
Comentário enviado com sucesso!