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Com três casos confirmados, Cuba tem medicamento eficaz contra coronavírus
13/03/2020 08:06 em Saúde

País atua em cooperação com a China para fabricação de remédio e é um dos que trabalha para desenvolvimento de vacina.

Três turistas italianos foram confirmados como os primeiros casos de coronavírus em Cuba. São duas mulheres, de 57 e 60 anos, e um homem de 61 anos. Eles desembarcaram na ilha no dia 9 de março, com sintomas leves de problemas respiratórios e chegaram a ir para um hotel na cidade de Trinidad, província de Sancti Spíritus.

De acordo com nota divulgada pelo governo cubano, os três pacientes foram levados no dia seguinte para o Instituto de Medicina Tropical Pedro Kourí, na capital Havana, onde passaram por testes que confirmaram a doença em menos de 24 horas. Ainda segundo o texto, nenhum deles está em estado grave.

O diretor nacional de Epidemiologia do Ministério da Saúde Pública de Cuba, Francisco Durán, informou à publicação local Buenos Días que os novos casos têm toda a atenção do governo cubano.

"Os turistas chegaram ao Aeroporto Internacional José Martí, em Havana, sem sintomas, foram para Sancti Spíritus e, durante o transporte, o operador turístico, o motorista e o proprietário do albergue onde ficaram relataram os casos à clínica autorizada da cidade. Foi realizada uma análise epidemiológica, porque eles vieram precisamente da Lombardia, que foi uma das regiões mais afetadas da Itália."

Segundo Duran, a identificação dos casos só foi possível por causa da vigilância rígida.

"Essa é uma doença nova e é essencial ressaltar que apenas uma pessoa apresentava sintomas muito leves. Se você não tivesse o conhecimento epidemiológico de onde eles vieram e o quadro clínico da doença, eles poderiam passar despercebidos como um resfriado comum, então você precisa estar alerta (...). A desinfecção de todas as superfícies com cloro já começou, bem como a vigilância de pessoas que tiveram contato com as pessoas afetadas desde a sua chegada ao país", explicou.

Isolamento

Foram isoladas todas as pessoas que tiveram contato direto com os italianos. Até agora nenhuma delas apresenta sintomas, mas o isolamento será mantido pelos próximos dias, para que eventuais sintomas sejam monitorados. Mesmo que voltem para suas casas, essas pessoas continuarão recebendo assistência de epidemiologistas e de equipes da área básica de saúde, procedimento que faz parte da estratégia cubana para o tratamento de casos suspeitos.

Além de um rígido controle no acesso de pessoas que vêm de outros países e entre trabalhadores de portos, aeroportos e outras áreas que costumam ter contato com estrangeiros, o governo cubano colocou em curso uma intensa agenda educativa para prevenção de contaminações.

Diariamente a população têm acesso a informações sobre higiene pessoal, limpeza de ambientes e hábitos sociais que devem ser colocados em prática para evitar a propagação da doença. 

Medicamento cubano

O país caribenho é responsável ainda pelo desenvolvimento de um medicamento antiviral que vem se mostrando eficaz no tratamento dos sintomas respiratórios da doença. O Interferón alfa 2B (IFNrec), um dos principais produtos biotecnológicos do país caribenho, vem sendo produzido na China desde janeiro

O IFNrec também está disponível em Cuba e é uma das armas para o combate aos problemas respiratórios mais graves causados pelo coronavírus.

Em declarações recentes à televisão cubana, o consultor científico e comercial da BioCubaFarma, Luis Herrera Martínez, afirmou que a escolha do Interferon se deve à eficácia já demonstrada contra vírus com características semelhantes ao coronavírus

"Seu uso impede que os pacientes com a possibilidade de agravamento cheguem a esse estágio" O médico completa que "o produto tem exatamente a mesma tecnologia usada em Cuba e que atende aos padrões de qualidade aprovados pelas autoridades reguladoras dos dois países".

O BioCubaFarma também pesquisa o desenvolvimento de uma possível vacina, a exemplo de institutos e laboratórios de outras regiões de mundo. No entanto, não há ainda nenhuma previsão de quanto tempo as pesquisas podem demorar. 

Edição: Rodrigo Chagas - Brasil de FAto

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